quinta-feira, 22 de outubro de 2015

HANS CHRISTIAN ANDERSEN

De Esopo a Walt Disney, que longos e acidentados caminhos percorreu o homem! Quantas coisas novas surgiram, mudaram, desapareceram! Mas, em meio à voragem do Tempo, algumas coisas subsistem e se repetem; as crianças de hoje, por exemplo, são como as crianças de sempre. em todas elas, nas contemporâneas de Alexandre ou de Napoleão, como nas de hoje, o que ocorre é o mesmo interesse pelo mundo do faz-de-conta, pelo mundo da imaginação. por isso, como em todos os tempos houve crianças, em todos os tempos houve contadores de histórias. Pode-se até imaginar , já no período das cavernas, um peludo e selvagem troglodita a relatar, mais com os gestos que com palavras, sua luta, com um urso formidável, e as crianças, ao fundo, encolhidas de medo e fascinação, a acompanhar o fantástico desenrolar da peleja.
     A esse troglodita remoto sucederá, na antiguidade, o fabulista Esopo. Depois virão, na Idade Média, os anônimos compiladores das  Gesta Romanorum - com seus romances, narrativas de viagens, bestiários, que se  destinavam aos adultos, mas que a gente miúda disputava ávidamente.  Gente miúda que mais tarde, difundida a imprensa, se encantará com episódios da Bíblia, com histórias dos mártires e das perseguições romanas.
     As crianças foram exigindo histórias, fantasias; e elas foram surgindo. Assim, em 1654, em Nuremberg, o Bispo Comenius publica o primeiro livro ilustrado infantil de que existe notícia. Pouco depois, para aquietar as rebeldias de seu real discípulo, Fénelon escreve suas famosas Aventuras de Telêmaco, que ainda hoje se lêem com prazer. Quase ao mesmo tempo apareciam os Contos de Perrault ( entre eles a História  da Gata Borralheira) e passava a circular na Europa traduções dos fabulosos relatos das Mil e uma  Noites.

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