terça-feira, 28 de julho de 2015

A MESINHA, O BURRO E O BORDÃO - CONTOS DE GRIMM

          Existiu, há muitos anos, um alfaiate que tinha três filhos e uma só cabra. Esta alimentava a família inteira com seu leite e, portanto, necessitava de bom pasto. Todos os dias era preciso levá-la a pastar. Disto se encarregavam os filhos, cada um por sua  vez. Certo dia o mais velho a conduziu ao cemitério, onde cresciam as melhores ervas, e aí a deixou comer e saltar à vontade. À noite, na hora de voltar para casa, ele perguntou:
  - Cabrita, estás satisfeita?
   E o animal lhe respondeu:
    Tão farta estou assim
    Que não quero um só capim.
   Béé! Béé!
   - Pois vamos para casa! - disse o rapaz e, pegando-a pela corda, a levou ao estábulo, onde a amarrou.
    - E então? - indagou o velho alfaiate.- A cabra comeu o suficiente?
   - Acredito que sim - respondeu o filho. - Está tão farta que não quer mais um só capim.
    O pai, querendo certificar-se pessoalmente, desceu ao estábulo e, acariciando o animal, perguntou:
    - Cabrita, estás satisfeita?
   E o animal lhe respondeu:
    De que me vou satisfazer
    Se  só saltei sobre valos
   Sem nenhum capim comer?
   Béé! Béé!
- Que estás a dizer? - exclamou o alfaiate e, voltando sem mais tardança, falou ao rapaz:
  - Mentiroso! Disseste que a cabra estava farta quando a deixaste passar fome!
  Encolerizado, pegou a vara que estava na parede e,  abaixo de golpes, o expulsou de casa.
   No dia seguinte chegou a vez do segundo filho. Este escolheu um bom lugar junto à cerca do jardim, onde cresciam ervas suculentas, e a cabra comeu tanto que deixou o local pelado. Quando anoiteceu e ele quis voltar para casa, indagou:
  - Cabrita, estás satisfeita?
  E o animal lhe respondeu:
   Tão farta estou assim
   Que não quero um só capim
    Béé! Béé!
  - Então vamo-nos! - disse o rapaz e, chegando em casa, prendeu-a no estábulo.
   - A cabra ficou satisfeita? - perguntou o velho.
   - Creio que sim - retrucou o filho. - Esta tão farta que não quer mais um só capim.
   O alfaiate, não se fiando nas palavras do rapaz, desceu ao estábulo e perguntou:
  - Cabrita, estás satisfeita?
  E o animal lhe respondeu:
   De que me vou satisfazer
   Se só saltei sobre valos
   Sem nenhum capim comer?
   Béé! Béé!
  - Oh, miserável ! O malvado! - gritou o velho. - Deixar passando fome este santo animal!
   E, correndo de volta, expulsou o filho a golpes de vara.
   Chegou, então, a vez do terceiro e este querendo fazer a coisa às direitas, foi a um campo onde havia do melhor capim e deixou a cabra regalar-se. Ao entardecer, à hora de voltar, perguntou;
   - Cabrita, estás farta?
 E ela respondeu:
   Tão farta estou assim
   Que não quero um só capim.
   Béé! Béé!
  - Então vem para casa - disse o rapazinho e, conduzindo-a ao estábulo, lá a prendeu.
  - A cabra comeu bem? - perguntou o velho.
  - Acredito que sim - respondeu o rapaz .- Estás tão farta que não quer mais um só capim.
   O alfaiate, não lhe dando crédito, desceu e indagou:
 O maldoso animal respondeu-lhe:
  De que me vou satisfazer
  Se só saltei  sobre valos
   Sem nenhum capim comer?
    Béé! Béé!
 - Corja de mentirosos! - berrou o alfaiate. - Um é tão mau e descuidado quanto o outro. Mas daqui por diante não me farão mais de palhaço!
   E, exasperado de raiva, subiu às pressas e tanto deu no rapaz que este saiu de casa em corrida desabalada.
   O velho alfaiate ficou, assim sozinho com sua cabra. Na manhã seguinte desceu ao estábulo, acariciou o animal e disse-lhe:
  - Vem, meu bichinho, que hoje eu mesmo te levarei ao pasto. - E, segurando a cabra pela corda, a conduziu a cercas verdes onde cresciam ervas de que as cabras mais gostam. - Aqui poderás fartar-se à vontade - disse-lhe e a deixou pastar até a noite. Depois perguntou:
   - Cabrita, agora estás farta?
 E ela respondeu:
    Tão farta estou assim
    Que não quero um só capim.
   Béé! Béé!
 - Pois voltemos para casa, - falou o alfaiate e, levando-a até o estábulo, ali amarrou. Ao afastar-se, virou para trás e indagou:
  - Ficaste satisfeita, desta vez?
  A cabra, no entanto, também com ele não fez exceção e retrucou:
     de que me vou satisfazer
    Se só saltei sobre valos
    sem nenhum capim comer?
    Béé Béé!
  Ouvindo aquilo, o velho ficou perplexo e se deu conta de que havia expulsado seus três filhos sem motivo algum.
   - Espera, criatura ingrata! - berrou ele. - Correr-te daqui, ainda é pouco. Vou marcar-te para que jamais te possas apresentar diante de um alfaiate honrado!
   Correu para dentro de casa, apanhou a navalha e, depois de ensaboar a cabeça da cabra, raspou-lhe a cara até ficar tão lisa como a palma de suas mãos. E como a vara de medir lhe parecesse demasiado honrada, foi apanhar o chicote e deu uma surra tal no bicho que este, mal se viu solto, saiu fugindo e dando os maiores saltos da sua vida.
 O alfaiate, vendo-se sozinho em casa, sentiu uma tristeza muito grande e um imenso desejo de ter seus filhos de volta. Mas ninguém sabia dizer-lhe para onde havia ido.
   O mais velho entrara como aprendiz para os serviços de um marceneiro. Trabalhou com tanta aplicação que, ao terminar sua aprendizagem e quando chegou a hora de correr mundo, o mestre presenteou-lhe  uma mesinha, de aspecto comum e de  e de madeira barata, mas que possuía uma bela qualidade. Quando a punham no chão e lhe diziam: " Mesinha, cobre-te!', ela imediatamente se cobria com uma toalha branca, muito limpa, e sobre ela apareciam um prato, uma faca e um garfo; além disso surgiam travessas cheias de cozidos e assados, tantas quantas cabiam na mesa, e um copo grande de vinho tinto que chegava a alegrar o coração. O jovem pensou: " Com isso terei o suficiente por toda a vida." E seguiu seu caminho, animado e feliz, sem se preocupar jamais em saber se os albergues eram bons ou maus, se encontraria ou não o que comer. Conforme a disposição, ele às vezes nem se hospedava; ia procurar uma lareira no mato ou então um campo que melhor lhe agradasse, tirava a mesinha das costas e, colocando-a diante de si, dizia:
   - Mesinha, cobre-te! - e, num momento, aparecia tudo o que mais lhe apetecesse.
 Passado algum tempo, veio-lhe a idéia de voltar para casa; a ira de seu pai, naturalmente, já se teria aplacado e, se lhe apresentasse a mesinha mágica, ele, na certa, o receberia novamente de bom grado. Aconteceu, então, que, certa noite, a  caminho de casa, entrou numa estalagem repleta de hóspedes. Receberam-no muito bem e o convidaram à sua mesa, para jantar com eles, pois já era muito tarde e de outro modo dificilmente conseguiria, ainda, algo para comer.
   - Não - disse o carpinteiro, - não vou privá-los dessa janta frugal. Ao contrário, eu é que os convido!
   Todos desandaram a rir, pensando que se tratasse de uma brincadeira. Mas o rapaz clocou sua mesinha de madeira bem no centro da sala e disse:
  - Mesinha, cobre-te!
   No mesmo instante a mesa se cobriu de manjares tão apetitosos como jamais o estalajadeiro teria sido capaz de apresentar e que exalavam um cheiro tão agradável que fez vir água à boca de todos os hóspedes.
    - Sirvam-se, amigos! - disse o carpinteiro, e os convidados, vendo que ele falava sério, não se fizeram de rogadas; aproximaram-se, puxaram suas facas e serviram a mais não poder. E o que muito os admirava era o fato de que, mal terminavam um prato , este era logo substituído por outro igual e repleto. O estalajedeiro estava parado num canto, observando o que acontecia e sem saber o que dizer; entretando, pensava com seus botões: " Um cozinheiro desses me prestaria bons serviços na estalagem."
    O carpinteiro e seu grupo divertiram-se até altas horas da noite e afinal foram dormir. O jovem tam bém foi deitar-se e colocou sua mesinha mágica junto à parede. O dono da estalagem, no entanto, não teve sossego; lembrou-se de que na despensa havia uma mesinha velha justamente igual à de seu hóspede. Levantou-se e, pé ante pé, foi buscá-la e a trocou pela mágica. Na manhã seguinte o carpinteiro pagou a conta e, colocando a mesa às costas sem notar que era outra, seguiu seu caminho. Ao meio-dia, chegou à casa do pai, que o recebera com grande alegria.
   - Então, meu filho, que aprendeste? - perguntou o velho.
    - Tornei-me carpinteiro, meu pai.
   - Bom ofício. E o que trouxeste de tuas viagens?
    - Pai, o melhor que eu trouxe, foi esta mesinha.
  O alfaiate examinou-a por todos os lados e observou:
   - Pois não parece uma obra de arte; é uma mesinha velha e em mau estado.
   - Mas é uma mesinha mágica - respondeu o filho.
- Quando eu coloco no chão e lhe digo que se cubra, imediatamente fica repleta de iguarias saborosas e apresenta um vinho que alegra o coração. Convide a todos os parentes e amigos que venham comer e beber à vontade; a mesinha irá satisfazer a todos.
  Reunido o grupo inteiro, o rapaz colocou a mesa em meio da sala e disse:
  - Mesinha, cobre-te!
    A mesa, porém, não fez caso e permaneceu tão vazia como qualquer outra que não entendesse essas falas. Aí, então, o pobre rapaz notou que a mesinha fora trocada e envergonhou-se por parecer um mentiroso. Os parentes riram-se dele e tiveram de retirar-se famintos e sedentos como haviam chegado. O pai pegou, de novo, os seus retalhos para costurar; e o rapaz entrou para os serviços de um mestre carpinteiro.
   O segundo filho foi à casa de um moleiro para com ele aprender a profissão. Ao terminar o tempo de aprendizagem, disse-lhe o mestre;
   - Como sempre te portaste bem, vou presentear-te um burro especial; não puxa carro nem carrega sacos.
   - E para que serve então? - quis saber o jovem.
  Cospe ouro - retrucou o moleiro. - Basta que entendas uma toalha em baixo dele e digas: " briquelebrit!" que o bom animal deitará moedas de ouro pela frente e por trás.
    É formidável! - excalmou o jovem e, agradecendo ao moleiro, saiu a correr mundo.
    Quando necessitava de ouro, era só dizer ao burrinho: " briquelebrit!" e, em seguida, choviam as moedas sem que ele tivesse outro trabalho senão juntá-las do chão. Onde quer que fosse, só se dava por satisfeito com o melhor que havia. Que lhe importava o preço, se tinha sempre o bolso cheio? Depois de ter andado algum tempo pelo mundo, pensou: " Devo ver meu pai; quando me apresentar com o burro de ouro, esquecerá seu rancor e me receberá bem."
    Aconteceu que foi parar na mesma estalagem onde haviam trocado a mesinha de seu irmão. Conduzia ele próprio o burro pelo cabresto. O hospedeiro quis levar o animal para atá-lo, mas o jovem disse-lhe:
   - Não se incomode que eu mesmo o levarei à cocheira e lá o atarei, pois preciso saber o lugar onde vai ficar.
    O dono da estalagem achou estranho aquilo e pensou que um hóspede que cuidava, pessoalmente, de seu burro não podia ter lá grandes posses. Mas, quando viu que o forasteiro meteu a mão no bolso e, tirando duas moedas de ouro,o encarregou de lhe preparar o melhor que havia, arregalou os olhos e saiu correndo para satisfazer-lhe os desejos. Após a refeição, o jovem perguntou quanto devia. O estalajadeiro, querendo logo tirar proveito, pediu-lhe mais duas moedas de ouro. O rapaz meteu a mão no bolso, mas seu dinheiro havia terminado.
   - Espere um momento, senhor estalajadeiro- disse ele.- Vou buscar o ouro.
   E, ao sair, levou a toalha da mesa. O outro, intrigado e curioso, seguiu-o cautelosamente para não ser visto e, como o hóspede fechasse a porta do estábulo, espiou por um olho de madeira. O forasteiro estendeu a toalha em baixo do burro e disse: " briquelebrit" e, no mesmo instante, o animal começou a deitar moedas pela frente e por trás, que até parecia uma chuva de ouro.
    - Vejam só! - disse o dono da estalagem. - Desse modo é fácil cunhar moedas! Um bolso assim não é nada mau!
    O hóspede pagou a conta e deitou-se a dormir. À noite o estalajadeiro desceu, pé ante pé, até a cocheira, levou dali o mestre cunhador e, em seu lugar,amarrou outro burro.
   Na manhã seguinte, bem cedinho, o rapaz seguiu viagem, levando o animal, na boa crença de que era o seu burrinho de ouro. Ao meio-dia, chegou à casa de seu pai. O velho alegrou-se ao revê-lo e o recebeu muito bem.
    - Que é feito de ti, meu filho?- perguntou.
    - Tornei-me moleiro, querido pai - respondeu ele.
    - E que trouxeste de tuas viagens?
    - Nada mais que um burro.
    - Por aqui existem burros em quantidade -disse o pai. - Teria preferido uma cabra.
    - Sim -retrucou o filho. - Mas este não é do tipo comum. è um burro de ouro. Basta  dizer-lhe "briquelebrit" e o bom animal deita uma toalha cheia de moedas de ouro. Chame todos os parentes, que farei deles gente rica.
    - Isto sim, me agrada - disse o alfaiate.- Não preciso mais apoquentar-me com o trabalho de agulha.
    E saiu correndo a chamar seus parente.
    Assim que chegaram todo, o moleiro os dispôs em  círculo e, depois de estender uma toalha no chão, foi buscar o burro.
    - Agora prestem atenção! - disse primeiro e, logo após: " briquelebrit"
    Mas o que caiu não foram precisamente moedas de ouro e ficou claro que o bicho nada entendia da arte de cunhar dinheiro, pois nem todos os burros chegam a essa perfeição. O pobre moleiro, desapontado, notou o logro e pediu desculpas aos parentes, que retornaram a suas casas tão pobres quanto antes. Ao velho alfaiate não restou outra coisa senão pegar, novamente, na agulha e o rapaz empregou-se num moinho.
       O terceiro irmão havia entrado como aprendiz na oficina de um torneiro e, sendo esse um ofício difícil, levou mais tempo para aprender. Seus irmãos, escrevendo--lhe uma carta, contaram o que lhes havia acontecido e como o estalajadeiro lhes roubara seus belos tesouros mágicos na véspera de chegarem em casa. Depois que o rapaz terminou sua aprendizagem e quis correr mundo, o mestre, em recompensa a seu bom comportamento, presentou-lhe um saco e disse:
    - Há um bordão aí dentro.
    - O saco posso colocar nos meus ombros e poderá servir-me- disse o rapaz- mas que farei com o bordão? Será apenas um peso para mim.
    - Direi para que serve - respondeu-lhe o mestre. - Se alguém te maltratar, é suficiente que digas: " Bordão, sai do saco! " e logo o verás saltar para fora e dançar nas costas da pessoa, com tanto vigor e entusiamo que durante oito dias não poderá mover-se. Nada o fará parar enquanto não lhe ordenes: " Bordão, entra no saco."
    -   O jovem agradeceu, pôs o saco aos ombros e, quando o atacavam para brigar, dizia: " Bordão, sai do saco" e logo o cacete tratava de passar a roupa dos atacantes sem esperar  que as tirassem primeiro; e agia com tal ligeireza, passando de uma outro, que nem ao menos notavam quando chegava a sua vez.
    Ao anoitecer, o jovem torneiro chegou à hospedaria onde seus irmãos haviam sido logrados. Colocou a mochila sobre a mesa, à sua frente, e principiou a contar as maravilhas que vira pelo mundo afora.
   - Sim - disse ele - a gente encontra mesas encantadas, burros de ouro e coisas semelhantes. Tudo isso são maravilhas que não desprezo; entretanto, nada significam em comparação com o tesouro que adquiri e levo dentro de saco.---------
   O estalajadeiro aguçou os ouvidos. " Que diabo poderá ser? " pensou ele. " saco, na certa, está cheio de pedras preciosas. Devo pensar em como apossar-me dele, pois todas as coisas andam, sempre, em número de três. A mesa e o burro já tenho; agora só me falta o saco."
   Quando chegoy a hora de dormir, o hóspede deitou-se no banco, fazendo o saco de travesseiro. O dono da estalagem, acreditando que ele estivesse dormindo profundamente, aproximou-se e começou a puxar o saco, devagar e cautelosamente, para ver se era possível retirá-lo dali e substituí-lo por outro. O torneiro, porém, estava esperando por aquilo há muito tempo. No momento em que o dono da estalagem deu um puxão mais forte, ele gritou: " Bordão, sai do saco." Imediatamente o cacete se pôs a medir as costas do hospedeiro que dava gosto se ver. O homem gritava de fazer só, mas quanto mais berrava mais cacetadas recebia, até que caiu no chão, exausto. O torneiro, então, disse-lhe:
   - A dança continuará se não entregares a mesinha mágica e o burro de ouro.
    - Em seguida! Em seguida! - exclamou o homem, extenuado. - Entregarei tudo, contando que faças esse maldito mostro entrar, de novo novo, no saco.
    - Serei clemente, - disse o rapaz - mas que te sirvão de lição. E, gritando: " Bordão, entra no saco", ele o deixou em paz.
     Na manhã seguinte o torneiro partiu, levou a mesinha mágica e o burro de ouro e pôs-se a caminho da casa de seu pai. O alfaiate alegrou-se ao vê-lo e também a ele perguntou o que aprendera.
    - Querido pai - respondeu o jovem- aprendi a ser torneiro.
     Um ofício que exige muita arte- retrucou o pai - mas que trouxeste de tuas viagens,
   - Uma peça preciosa, querido pai -disse o filho. - Um bordão dentro de um saco.
   - O que?! - exclamou o velho - um bordão? Ah, vale mesmo a pena! Poderias cortar um de cada árvore!
   - Não um como este, meu pai! Se eu disser: " Bordão, sai do saco," ele salta para fora e inicia um baile com apessoa mal-intencionada que acaba deixando-a estendida no chão até pedir misericórdia. Veja, com este bordão consegui readquirir a mesinha mágica e o burro de ouro que o estalajadeiro ladrão roubou de meus irmãos. Agora vá chamar os dois e convide todos os parentes, que lhes darei de comer e beber e ainda encherei seus bolsos de ouro.
    Embora desconfiado, o velho alfaiate saiu a convidar os parente. Em seguida, o torneiro foi estender uma toalha no chão da sala e depois, entrando ali com o burro, disse a seu irmão:
   - Agora, entende-te com ele.
    E o moleiro pronunciou a palavra: " brinquelebrit!"
    No mesmo instante caíram moedas de ouro como se fosse uma verdadeira chuva e o burro não parou até que todos haviam recolhido tanto que ja´não podiam mais carregar.( Pela tua cara, vejo que gostaria de tomar parte!) Depois o torneiro foi buscar a mesinha mágica e disse:
    - Querido irmão, agora fala tu com ela.
    E mal o carpinteiro disse: "Mesinha, cobre-te!" - já estava cheia dos mais belos quitutes. Saborearam, então, um banquete com o bom alfaiate ainda naõ vira em sua casa e toda a parentela permaneceu reunida até alta noite em plena festa de regozijo. O alfaiate guardou no ármario a agulha e linha, a vara de medir e o ferro de engomar e viveu rico e feliz em companhia de seus três filhos.
  Mas que fim levou a cabra, culpada de ter o alfaiate expulsado seus filhos? Vou te contar. Cheia de vergonha por estar coma cabeça pelada, ela foi se esconder na toca da raposa. Esta, ao voltar para casa, enxergou no escuro uns olhos grandes, chamejantes, e, assustando-se, deitou a correr. Encontrou-se com ela o urso e, vendo que estava toda alvorotada, indagou:
   - Que há, irmã raposa, que cara é essa?
    - Ah! - responde a outra- um monstro se meteu na minha toca e me olhou com olhos de fogo!
    Ora! Logo o espantaremos! - falou o urso. Foi à toca e espiou para dentro. Mas quando enxergou os olhos chamejantes, ficou igualmente apavorado e, não querendo se ver às voltas com o monstro, saiu também em disparada.
    A abelha, encontrando-se come ele, percebeu que algo estranho se passava e indagou:
    - Urso, pareces aborrecido. Onde está teu bom humor?
     - Para ti é fácil falar! - respondeu o urso.- Há um monstro com olhos de fogo na casa da raposa e não conseguimos enxotá-lo!
     Respondeu-lhe, então, a abelha:
   - Tenho pena de ti,  urso. Sou uma pobre e débil criatura que vocês nem se dignam olhar , mas acho que poderia auxiliá-los.
     Voou até a toca da raposa, sentou-se na cabeça pelada da cabra e meteu-lhe o ferrão com tanta força que ela saiu a correr pelo mundo afora, gritando: Bééé! Bééé! E desde esse momento ninguém mais soube que rumo tomou.FIM


























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